4# INTERNACIONAL 16.4.14

A VOZ DOS TORTURADOS
Os relatos de dez vtimas da represso na Venezuela so testemunhos do declnio do regime chavista, tristemente apoiado pelo governo brasileiro.
NATHALIA WATKINS, de CARACAS

     Os nomes Jorchual, Carkelys, Marvinia e Lourds podem parecer estranhos aos leitores da revista. Mas todos eles so de pessoas que poderiam perfeitamente ter nascido no Brasil. So estudantes esforados que sonham em seguir uma boa carreira. Donas de casa preocupadas com o bem-estar dos filhos. Profissionais liberais com garra para trabalhar. Por terem nascido e viverem na Venezuela, porm, mesmo para as coisas mais elementares, como comprar carne em um aougue ou expressar sua opinio pessoal, eles precisam batalhar. Desde fevereiro, centenas de milhares de venezuelanos como eles foram s ruas protestar, na maioria das vezes pacificamente, contra o governo. O presidente Nicols Maduro reagiu colocando todas as foras de segurana do Estado, alm de milcias paramilitares, para reprimir as manifestaes e espalhar o terror entre os cidados que ousam se organizar para lutar por seus direitos. A Venezuela vive, hoje, uma crise social da qual ainda no se pode antever uma sada. As foras a servio de Maduro realizaram mais de 2000 prises arbitrrias. Os casos de tortura, no clculo mais conservador, somaram 59. Quarenta pessoas morreram. O ataque aos cidados solapou o j frgil estado democrtico de direito no pas e criou uma situao ainda mais cruenta que a do primeiro perodo da ditadura brasileira, entre abril de 1964 e o Ato Institucional n 5 (AI-5), de 1968, quando o regime ainda no havia organizado e intensificado os mtodos de tortura. No ms em que se relembra o legado do golpe militar, ocorrido h cinquenta anos, o Brasil fecha os olhos para abusos que ocorrem na vizinhana. Para perplexidade dos venezuelanos, o que os representantes brasileiros tm feito at agora  legitimar as aes de Maduro, enquanto simulam uma mediao entre o governo chavista e a oposio. Na semana passada, o ministro de Relaes Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, esteve em Caracas com outros dois chanceleres da Amrica do Sul e com o nncio do Vaticano, Aldo Giordano, para uma reunio no Palcio de Miraflores. A oposio pediu a libertao dos presos polticos, o respeito ao direito de protestar e a independncia entre os poderes. No incio da reunio, porm, Maduro deixou claro que no se arrepende de nada. "Imaginem se tivssemos sido fracos e os protestos tivessem me tirado daqui", disse ele. 
     Os relatos das dez vtimas de tortura e espancamento que ilustram esta reportagem revelam que a represso no  aleatria. Ela tem mtodo e obedece a uma hierarquia, um indcio de que Maduro poderia suspend-la quando quisesse. Na linha de frente esto os colectivos, grupos de criminosos sustentados pelo governo. Vestidos  paisana e montados em motos, eles so geis e atuam principalmente contra a populao mais pobre. De cada trs protestos feitos neste ano, um foi vandalizado por colectivos. Eles tm liberdade para atirar com munio real e espancar os manifestantes  luz do dia e no meio da rua porque esto protegidos pelo anonimato e contam com a conivncia das foras de segurana. Estas se dividem em trs: a Guarda Nacional Bolivariana (GNB), um corpo militar encarregado da segurana interna do pas, a Guarda do Povo, um brao da GNB, e a polcia. Cabe a essas instituies a tortura que ocorre nos pores do regime, em quartis, delegacias e prdios pblicos. O objetivo dos uniformizados no  zelar pela ordem pblica, como seria de esperar em uma democracia, mas punir os cidados com base em preceitos ideolgicos. Ou, como disse o prprio Maduro em maro, ao pedir a intensificao da represso: "Fao um chamado s Unidades de Batalha Hugo Chvez, s comunas, aos colectivos. Chama que se acende, chama que se apaga". 
     Muitas das vtimas entrevistadas para esta reportagem contam que, enquanto eram espancadas, ouviam dos agressores perguntas de cunho poltico ou palavras de ordem tpicas dos discursos do falecido presidente Hugo Chvez. At pessoas que simpatizam com o chavismo tm sido torturadas quando sua lealdade  posta em dvida por algum motivo. No h nada de incomum nisso. As ditaduras comunistas do sculo XX, quando se sentiam ameaadas, tambm se empenhavam em aterrorizar os prprios correligionrios. O foco das foras oficiais e paramilitares venezuelanas  espalhar o medo e, assim, manter toda a sociedade inerte, prostrada, dentro de casa. A isso se d o nome de terrorismo de Estado. Na cidade de Barquisimeto, no Estado de Lara, os colectivos entraram na casa de uma famlia de classe mdia, espancaram a me e sequestraram o filho, um estudante. A cada manifestao no bairro onde eles moram, o jovem  agredido, violentado sexualmente e obrigado a ligar para a me para contar o que sofreu. No bairro, os moradores, em solidariedade ao garoto, j no saem mais a protestar contra o governo. Outra forma de espalhar o terror  o chamado ruleteo, em que civis so pegos aleatoriamente e levados em carros militares ou da polcia. So roubados, ameaados de morte e, depois de horas de tortura psicolgica e agresses, so liberados. Qualquer um pode ser vtima. 
     Apesar da retrica de Nicols Maduro, que acusa os cidados insatisfeitos com os rumos do pas de serem "burgueses golpistas"', muitos dos presos e torturados por seu regime so pobres ou de classe mdia baixa. "No tenho partido nem quero ter. S sei que antes a poltica ficava na poltica; agora a poltica derrama sangue", diz a costureira Marvinia Jimnez, que sofreu trs dias de maus-tratos por tirar fotos de uma manifestao (veja na pg. 94). 
     No h como comparar o que acontece na Venezuela com os abusos policiais que eventualmente ocorrem durante protestos em pases democrticos. Na Venezuela, a tortura  poltica de Estado, ocorre dentro de prdios do governo e, mesmo quando vem a pblico, no resulta na punio dos responsveis. Em vez de investigarem os abusos, as autoridades venezuelanas transformam as vtimas em culpadas. Marvinia, por exemplo, foi indiciada por cinco crimes. Nenhum membro de colectivo foi preso. Ao acreditar na boa vontade de Maduro, o governo brasileiro s pode estar fingindo. 

"SENTI QUE IA DESMAIAR" 
Jos Ribas, de 19 anos, cursa direito na Universidade Central da Venezuela e  lder estudantil. No ltimo dia 3, ele participava, dentro do cmpus, de uma reunio para listar propostas econmicas para o governo. As concluses seriam expostas em faixas durante uma manifestao. De repente, 200 paramilitares chavistas invadiram a universidade e correram no encalo dos que estavam no evento, batendo em quem pudessem alcanar. Cinquenta deles lincharam Jos a pauladas. "Eu no podia nem gritar. Senti que ia desmaiar a qualquer momento", diz. Os algozes gritavam que ele estava apanhando por convocar passeatas. Alguns estudantes tiveram as roupas arrancadas enquanto eram espancados. Jos foi levado por amigos ao hospital universitrio. No corredor, soube que civis armados haviam estado ali procurando por ele. Ficou com tanto medo que fugiu antes de receber alta. "Os protestos no so um pretexto para derrubar Maduro. O que desejamos  que o governo se responsabilize pelo povo", diz Jos. 

"SANGREI POR TRS DIAS"
O estudante de comunicao Jorchual Gregory Vargas, de 19 anos ( direita), saiu com os amigos Juan Manuel Carrasco, de 21 anos (na pg. ao lado), e Jorge Luis Len, de 25 anos, para jantar e, em seguida, participar de uma manifestao contra o governo na cidade de Valncia, a 170 quilmetros de Caracas, no dia 13 de fevereiro passado. Antes de chegar ao local da concentrao do protesto, o carro do trio foi cercado por membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB). Os militares quebraram os vidros, jogaram uma bomba de gs lacrimogneo dentro do veculo e obrigaram os trs a sair a cacetadas. "Andem logo, seus malditos, que vamos fuzilar vocs", diziam. Logo depois, Jorchual foi atingido por um disparo, provavelmente de bala de borracha, e posto contra a parede junto com os dois amigos, sempre apanhando dos fardados. Os trs foram obrigados a se deitar no cho, em posio fetal, e passaram a receber golpes na cabea e nas costelas. "Como vocs gostam de queimar coisas, vamos queimar o carro de vocs", disse um dos guardas, em referncia s barricadas montadas pelos manifestantes. Os trs nunca haviam queimado um pneu na vida. No cho, Jorchual e seus amigos se abraaram e rezaram enquanto apanhavam. Ento Jorchual e Jorge Lus ouviram Juan Manuel gritar ainda mais alto. Um dos guardas estava usando o cano do fuzil para violenta-lo, no meio da rua. "Ele implorava para que no introduzissem nada nele", lembra Jorchual. "De tudo o que sofri, essa parte foi a que mais me doeu. Sangrei por trs dias. Alm da dor fsica, eu me senti totalmente humilhado como homem. Nunca vou perdoar esse governo por isso", diz Juan Manuel. O suplcio de Juan Manuel, Jorchual e Jorge Lus no terminou ali. Eles foram levados com outros nove jovens para um quartel da Guarda Nacional. No caminho, amontoados em uma caminhonete, eram ameaados de morte e de estupro. Na instalao militar, todos permaneceram de joelhos. Um cachorro da raa boxer, treinado para atacar, era mantido a curta distncia para aterroriz-los. Eles foram obrigados a se despir e receberam um banho de gasolina e, em seguida, de gua. Depois, algemados uns aos outros em um ptio, em crculo, comearam a levar golpes na cabea com capacetes e cassetetes. "Quem paga a vocs para participar das manifestaes?", gritavam os torturadores, enquanto lanavam bombas de gs lacrimogneo e gs de pimenta sobre os jovens. O espancamento durou a noite inteira. Na manh seguinte, receberam a visita de um promotor pblico. Ele explicou aos presos que, quando fossem soltos, deveriam dizer que tudo o que aconteceu foi por culpa deles mesmos. Em seguida, chegaram dois mdicos-legistas. "Quando viram meu estado, eles comearam a chorar. Eu pedi ajuda, mas eles no nos deram nenhum remdio, s recomendaram repouso. Quando os mdicos foram embora, voltamos a apanhar", diz Juan Manuel. Depois de 48 horas, o tempo mximo que um cidado na Venezuela pode ser mantido preso sem acusao formal, os jovens foram levados a uma audincia num tribunal que durou doze horas. "Quando chegamos, disseram que deveramos fingir e nos comportar como se no estivssemos sentindo dor", diz Jorchual. Eles no tiveram direito a uma reunio prvia com advogados. Esto respondendo por delitos como alterao da ordem pblica e ganharam liberdade condicional. A Justia, controlada pelo chavismo, diz que est investigando a tortura. Trinta militares participaram das atrocidades, mas nenhum deles foi chamado para que as vtimas pudessem reconhec-los. Um dos torturados tinha 16 anos. 

"EU ME SENTI IMPOTENTE"
Na cidade de Barquisimeto, capital do Estado de Lara, durante uma manifestao no dia 12 de maro, tanques da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e motoqueiros armados a mando do governo comearam a detonar bombas de gs e a disparar contra a multido. A dona de casa Keyla Brito, de 41 anos, e sua filha, a estudante Carkelys Alvarez, de 17 anos ( esquerda), estavam a caminho do aougue. Pegas de surpresa no meio do tumulto, correram para se abrigar na casa de uma senhora, onde outras vinte pessoas tambm procuraram proteo. L, conheceram a estudante de direito Lourds Coemenarez, de 21 anos ( direita). Quando os confrontos na rua terminaram, todos deixaram a casa. Uma jovem foi atropelada. Um motorista se ofereceu para lev-la ao hospital, com a ajuda de Keyla, Carkelys, Lourds e outras quatro mulheres. No caminho, vinte motoqueiros da GNB cercaram o veculo e mandaram o motorista dirigir at um quartel. Outros quinze motociclistas armados,  paisana, se somaram  escolta. Trs guardas femininas da GNB abriram as portas do carro. "Chegou carne fresca, chegou a diverso", diziam elas. Com as pernas dormentes por causa do aperto no carro, a dona de casa e as jovens levaram alguns segundos para reagir  ordem de descer da caminhonete. A primeira frase que Lourds escutou foi: "Todas sero estupradas. Voc vai permanecer nove meses aqui para parir e ficar marcada para sempre". Carkelys foi puxada pelo cabelo para fora do carro e caiu de costas no cho. "Ao mesmo tempo em que usavam os seus capacetes para bater em nossa cabea, as militares repetiam as palavras de ordem que os estudantes dizem nas manifestaes", conta Carkelys. As presas foram atiradas em um  corredor. Elas tinham de ficar no cho, de cabea baixa, enquanto os soldados diziam que havia homens h meses sem sexo ali e que iam trazer presos comuns para estupr-las. "Alguns dos guardas disseram que, se os presos no nos estuprassem, eles mesmos fariam isso", afirma Lourds. Quem falasse ou fizesse barulho apanhava em dobro. "Enquanto nos espancavam, diziam que deveramos aprender a no falar mal de um governo que nos d tantas coisas boas", relata Lourds. Uma das que mais sofriam e choravam era a jovem que havia sido atropelada e estava com a perna machucada. "A sensao de impotncia por no conseguir ajudar minha filha e as outras meninas doa muito. Eu tentava acalm-las. A eles me batiam ainda mais", diz Keyla. As guardas comearam a limpar as botas nos cabelos das presas. No satisfeitas com essa humilhao, pegaram uma tesoura e cortaram os cabelos das vtimas, uma por uma. "Senti a tesoura trs vezes. Na hora, nem tive coragem de passar a mo na cabea. S rezava", diz Carkelys. Os soldados lanaram uma bomba de gs dentro do corredor e depois jogaram vinagre em cima das presas. Foi quando apareceu um militar e anunciou o fim da tortura: "J est bom!". As mulheres foram arrastadas para uma parte limpa do mesmo corredor, lavadas com gua e atendidas por outras cinco integrantes da GNB, recm-chegadas. Elas perguntavam, cinicamente, o que tinha acontecido e ofereciam comprimidos para dor de cabea. O teatro tinha o nico objetivo de fazer com que as presas assinassem um documento afirmando no ter sofrido tortura. Todas foram obrigadas a fornecer seus dados pessoais e passar informaes sobre sua rotina. Os oficiais, ento, ligaram para outras pessoas por rdio para confirmar os dados. S ento elas foram liberadas. 

"EU SENTIA MUITA DOR"
O estudante de arquitetura Luis Gutierrez, de 26 anos, mora em San Antonio de Los Altos, nos arredores de Caracas. "S no ano passado, fui assaltado duas vezes a mo armada dentro da universidade.  bvio que estou insatisfeito com o meu pas." No dia 19 de fevereiro, ele tirava fotos de um protesto quando comeou uma confuso. Luis e seu irmo Jorge, de 24 anos, tentaram sair de l. Acabaram cercados por homens de moto, membros da Guarda do Povo, que responde diretamente ao presidente. "Eles ordenaram que deitssemos no cho. Indefeso, recebi um chute no olho", diz Luis. Todos os manifestantes detidos foram roubados, espancados e ameaados de morte. Depois de uma hora, os guardas amarraram os jovens com o cadaro de seus tnis. Ao todo, 44 manifestantes, cinco deles bastante feridos, foram levados para uma instalao militar. Luis foi encaminhado a um ambulatrio. Os exames revelaram trs fraturas no seu rosto. Apesar disso, ele no foi levado a um hospital, e sim de volta  cadeia, onde alguns de seus companheiros continuaram sendo submetidos a sesses de espancamento. Apenas dois dias depois Luis foi solto e pde receber atendimento mdico. "Durante todo o tempo, eu sentia muita dor e angstia", diz ele. 

"NO POSSO ME CALAR"
A costureira Marvinia Jimnez, de 36 anos, mora em um bairro pobre de Valncia e  me solteira de um menino de 7 anos. Desde o incio dos protestos, ela fez panelaos contra o governo. No dia 24 de fevereiro, Marvinia foi atacada por integrantes da Guarda do Povo na rua de sua casa. Ela foi chutada e jogada ao cho. Uma guarda feminina sentou-se sobre a sua barriga, tirou o prprio capacete e comeou a us-lo para golpear o rosto e a cabea da costureira. "Eu disse que estava grvida para que ela parasse de bater. Ela respondeu que, se fosse verdade, quela altura j teria perdido o beb." Marvinia foi arrastada at uma moto e comeou a gritar o prprio nome vrias vezes, na esperana de que algum vizinho avisasse a sua famlia. Ela foi levada  sede da corporao, onde encontrou outros manifestantes feridos. Um deles era um idoso que vomitava sangue. Durante trs dias, Marvinia no pde tomar banho e foi obrigada a dormir no cho. S ganhou comida depois do segundo dia. A guarda que espancou Marvinia foi identificada, mas continua livre. "O pior  saber que, se o meu caso for esquecido, um dia vou aparecer assassinada. Penso no futuro do meu filho. Mas no posso me calar", diz Marvinia. 

EU NO CONSEGUIA REAGIR"
O estudante de engenharia civil Jaime Yspica, de 22 anos, participou de vrias manifestaes contra o governo, sempre de forma pacfica, na cidade de Maracay, capital do Estado de Aragua, no leste da Venezuela. Em um dos protestos, no fim do ms passado, ele precisou correr para se refugiar do gs lacrimogneo que era lanado contra os estudantes. Jaime tentava entrar em um edifcio com outros jovens para se abrigar quando percebeu que um grupo de homens armados, membros de milcias chavistas conhecidas como colectivos, corria atrs deles. Jaime ficou para trs. Ele foi agarrado, e um dos homens, um policial uniformizado, puxou uma pistola para amea-lo. O estudante foi roubado e depois linchado por oito milicianos durante mais de trs minutos. "Eu no conseguia reagir", diz ele. "Esses colectivos so a vanguarda da represso do governo, e eu tenho medo de que eles venham me procurar para terminar o que comearam." Jaime, que vive com a me e a irm mais nova, ficou dezoito dias longe de sua casa, em uma tentativa de despistar os membros da tropa paramilitar de Maduro. Ele teve o nariz e o seio frontal da face fraturados, e ter de passar por duas cirurgias para repar-los. 

"ELES AMEAARAM ME MATAR"
O estudante de comunicao Ignacio Rojas, de 24 anos, estava no apartamento de um amigo, prximo  conturbada Praa Altamira, em Caracas, palco de confrontos h mais de dois meses entre manifestantes e as foras do governo, quando a represso aos protestos se intensificou. Como o gs lacrimogneo se concentra nas reas mais altas, Ignacio e o amigo resolveram descer para se proteger no ptio interno do prdio. Foi quando, sem nenhuma razo aparente, alguns policiais invadiram o ptio e o arrastaram para um camburo. "Eles diziam que eu deveria ficar calado, seno iriam me matar, e que era para eu parar de atirar pedra. Mas eu no estava fazendo isso. Alis, nunca atirei pedras na polcia", diz Ignacio, que foi algemado e passou quatro horas dentro do veculo escutando ameaas. "Os policiais diziam que eu iria apodrecer na cadeia e perguntavam por que ns estvamos protestando", afirma Ignacio. Depois, ele foi levado a uma delegacia, onde ficou detido por dois dias sem acusao formal. "Violaram os meus direitos de cidado", diz. 


